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Fazendo a pizza crescer

Fazendo a pizza crescer

"Clodinho, apaga a luz, meu filho. Não somos sócios da Light."

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Essa era uma frase recorrente na casa dos meus avós toda vez que eu os visitava. Mesmo não sabendo o que era Light (na época, Light também era do nome da concessionária de energia de São Paulo), entendia o sentido de evitar os desperdícios.

Quase meio século depois, troquei de papel e pego no pé da criançada lá de casa, que teima em deixar luzes e aparelhos ligados o tempo todo.

Para melhor entendimento da turma de casa, lembro que o bolso do papai é um só. Gastar mais em conta de luz me obriga a gastar menos em presentes para compensar.

Fazendo uma analogia de uma pizza como ilustração, posto que a fatia desperdiçada poderia ter sido saboreada pela família, tento incutir na cabeça das crianças o conceito de orçamento equilibrado.

A alegoria é simples e efetiva. Convido-o a testar, caso tenha filhos pequenos. Há, porém, limites à sua aplicação quando chegamos à vida adulta.

Aqui vale a pena aprofundar. Orçamentos em condomínios seguem bastante a lógica dos orçamentos domésticos. Ao menos essa é uma tentativa que todos nós profissionais da área aplicamos para fazer condôminos entenderem o motivo dos custos aumentarem anualmente.

Se entendermos que, do ponto de vista material, o nosso principal objetivo, tanto individual, familiar ou mesmo profissional em condomínios, é a construção de riqueza, faz-se importante distingui-la do conceito de dinheiro.

Riqueza é o conjunto dos bens e experiências que queremos ter. Casa, carros, roupas, restaurantes, viagens, hobbies. O acesso a tudo isso é o que nos traz a sensação de riqueza. Do ponto de vista condominial temos alguns exemplos que beiram o absurdo.

Existem condomínios com enorme quantidade de dinheiro em caixa, sejam em fundos de reserva, de obras, ou trabalhista mas paradoxalmente carecem de melhorias, modernização, contratação de profissionais melhores e mais gabaritados a melhorarem a qualidade de vida dos condôminos ( que convenhamos, é nossa principal razão de existir).

 Dinheiro é o que usamos para adquirir riqueza. O objetivo de um condomínio é melhorar o domínio comum a todos e não acumular recursos. Logicamente um prescinde de outro aqui, mas a lógica jamais pode ser invertida.

Enquanto riqueza acompanha e seduz o homem desde o início da história, o dinheiro é uma invenção relativamente recente. Antes usava-se metais como meio de troca. E antes ainda usava-se outros bens materiais e até o próprio escambo para movimentar riqueza de um lado ao outro.

O dinheiro é apenas uma ferramenta para trocar e transferir riqueza – ele não é a riqueza em si. A armadilha ocorre quando as pessoas confundem os dois e assumem que uma quantidade fixa de dinheiro equivale a uma quantidade fixa de riqueza.

Condomínios precisam cada vez mais possuírem recursos para serem utilizados em benefício do próprio condomínio e não gerar grandes quantias paradas em fundos contábeis, muitas vezes em nome da própria administradora do condomínio.

Para explicar o conceito de criação de riqueza, usemos uma comparação distinta da pizza.

Suponha que você possua um condomínio com grande quantidade de recursos bancários, mas sem manutenção correta de segurança, administradora precária ou até mesmo a fachada desconstituída.

Em vez de deixá-lo por lá perecendo das inexoráveis manifestações que o tempo faz com cada obra, você pode criar uma campanha de conscientização dos condomínios e investir esse dinheiro na restauração da fachada por exemplo, deixando-o impecável.

De repente você tem algo valioso que pode ser trocado por um bom dinheiro. Ao fazer isso, você cria riqueza. Fachadas limpas, valorizam o bem imóvel!

Ao restaurar seu condomínio defasado, você ficou mais rico.

Você não deixou ninguém mais pobre. Portanto, obviamente a imagem da pizza não cabe aqui. 

Pensar na pizza é estar amarrado ao dinheiro que temos hoje. Claro que precisa ser tratado com respeito e tal postura deve ser passada a todos os condôminos.

Crianças – e condôminos também – deveriam focar em como expandir nossa capacidade de criação de riqueza, fomentando condições que possibilitem nos expor a situações de ganha-ganha, em que todas as partes envolvidas se beneficiam das trocas.

Por mais que queiramos evitar o desperdício, nosso esforço maior sempre deve ser no aumento do tamanho da pizza, ou seja, na criação de valor – e não na sua repartição.

Colocando dinheiro como consequência da criação de riqueza, e não como um fim em si mesmo, abrimos um norte mais claro do que temos a conquistar.

Ao reconhecer que a riqueza pode ser gerada e expandida, podemos adotar uma mentalidade de abundância em vez de escassez. Mude a mentalidade do seu condomínio.

Esteja focado no que realmente agrega valor e tornam os condôminos mais ricos. Conte sempre conosco da ZDL ADVOGADOS na gestão do seu condomínio.

Clodoaldo de Lima é Advogado de Condomínio e Sócio da ZDL ADVOGADOS.

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